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Varanda agridoce

Lofi hip hop, boom bap, classic beat, relax

Jonas Cardoso·3:51

Lyrics

O quanto de alegria existe na dor?

Olhando em retrocesso por onde caminhou, as dores são só retalhos do espetáculo

O quanto de paz existe no caos?

Quando a epifania sobrepõe a angústia, a visão se amplia e a clareza se apresenta

Mar da apofenia dando vida a aspectos apócrifos ao ser

O quanto de dúvida há na certeza? Hein?

Quando se enxerga o mundo pela fresta, uma casca de fragilidade se cria frente ao real

Espiral de ilusão é interno, mas não eterno, lute!

O quanto de barulho existe no silêncio?

Não falo das noites, dos tragos, dos gritos, do desespero e da faca, mas desse buraco negro no centro do estômago!

O quanto de ódio existe no amor?

Quando aquilo que se projeta no outro não condiz

Ou quando você viveu por eles e esqueceu de si, hein?

O quanto do que se realiza é capaz de te fazer continuar?

Quando os dias parecem ser os mesmos e você é apenas uma sombra opaca do que já foi um dia

Não espere mais aplausos, a vida começa agora

Saia na varanda, sinta o ar

Bem-vindo ao espetáculo singular

Dessa dança cósmica

Inspire, expire

Se dissolva no ar

Trocando ideia com o meu cigarro percebo o quanto eu envelheci

Desses anos alheio a mim mesmo, mas com gratidão de quem adquiriu sabedoria por osmose

Daquele velho sermão, de um homem comum, ainda que eu diga isso sem nenhuma pretensão

Me sinto julgado por mim, por você, seja lá por quem assista a essa simulação

Vivemos em cápsulas de personas criadas, moldadas, editadas e maquiadas pra chamar atenção

Tudo certo, é a evolução da civilização, eles disseram

A si mesmo um estranho e da própria alma um órfão

Ainda que eu enxergasse anos a frente, não veria nada diferente, é difícil

Não sei se havia ingenuidade em mim, mas algo levou meu brilho

Difícil prever o daqui pra frente como estou

Andarilho, maltrapilho, inquilino da estagnação

Não me preocupo como soa, apenas miro, engatilho e PLOW!

Controlar a si mesmo é um exercício de semiótica

Quando se percebe o meio, as chances, as tréguas, as brechas e as grades

Você nunca é mais o mesmo

Produtividade robótica, afeto sintético, expressão artística sufocada, ganância frenética

Saia na varanda, sinta o ar

Bem-vindo ao espetáculo singular

Dessa dança cósmica

Inspire, expire

Se dissolva no ar

Vou em órbita e aterrisso na sonda

Nadando nesse mar de frustrações eu não me perco

Ainda que meus olhos não escondam

Sei que isso aqui vem de berço

Saia na varanda, sinta o ar

Bem-vindo ao espetáculo singular

Dessa dança cósmica

Inspire, expire

Se dissolva no ar

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