
O Náufrago e a Acrobata
Brazilian bossa nova, cinematic orchestral pop, acoustic singer-songwriter, indie folk, soft rock, chamber pop, tropicalia-inspired jazz, modern choral folk, dreamy acoustic ballad, Latin-infused indie pop, theatrical musical-style storytelling, subtle samba rhythms, poetic folk rock, emotional piano ballad, lush string arrangements, melancholic yet uplifting pop, retro 60s Brazilian pop, cinematic acoustic storytelling, warm acoustic jazz, introspective indie ballad

O Náufrago e a Acrobata
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Lyrics
Verso 1
Caía o dia feito ponte de papel,
um náufrago de smoking azul
lembrava Fred Astaire,
e o sol — mágico de revista —
puxava de cada nuvem triste
um coelho de aluguel.
Verso 2
Os astros, no teto desbotado do céu,
lambiam mágoas com língua de cor,
que sufoco insano!
O viajante de cartola
fazia reverências sem fim
à aurora do meu país.
Refrão
Meu Brasil que insiste
em querer de volta o irmão do Millôr,
tantos foram embora de vez
num estalo de luz.
Chora a Pátria mãe gentil:
choram Lúcias e Clarisses
no chão deste Brasil.
Verso 3
Mas sei que essa dor, tão cortante,
não se deixa soprar pra fora.
A esperança dança — acrobata —
na corda bamba do guarda-chuva,
e a cada passo incerto
pode se ferir.
Ponte
Azar.
E se a queda acontece, que seja cena:
um ato que sangra, mas ensina.
Final
A esperança acrobata sabe:
o show de todo artista tem que continuar.
Mesmo quando o pé escorrega,
mesmo quando a luz se parte,
a corda reaparece — fina e viva —
e o náufrago, a acrobata,
levantam-se e vão rodar.
O show tem que continuar.
