
Balada do Homem que se Desfaz em Rima
melancholic samba fusion, cinematic jazz poetry, lo-fi bossa reflection, urban storytelling, soulful latin ballad, ambient acoustic samba, existential cabaret, poetic folk fusion, emotional singer-songwriter, minimal jazz noir, modern brazilian soul, nostalgic orchestral pop, slow samba groove, introspective piano song, contemporary latin jazz, lyrical narrative music, art-song fusion, emotional storytelling, vintage microphone tone, voice-driven acoustic performance

Balada do Homem que se Desfaz em Rima
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Lyrics
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Abertura – agulha encontrando o sulco de um disco esquecido
Ele amou aquele tempo como se o tempo fosse um último beijo
e a cada verso, um passo de dança que esquece o chão
que esquece o corpo
que esquece até a música
Primeira estrofe – voz de homem que fala sozinho na madrugada
Ele beijou sua mulher
como quem beija uma saudade que ainda não existe
e chamou cada filho pelo nome
—nomes que inventou na hora exata de morrer
Cruzou a rua de asfalto quente
com o passo pesado de quem atravessa um rio de cimento
Subiu o andaime range-range
como quem sobe pela própria coluna vertebral
e ergueu, no décimo andar,
quatro paredes que não sabiam que eram túmulo
Tijolo por tijolo vermelho
como se cada um guardasse um batimento do coração
Olhos cegos de cal, suor e lágrima seca
como se o mundo inteiro fosse feito de poeira santa e arrependimento velho
Refrão – samba-canção tocado em piano de cabaré às três da manhã
Ele se sentou pra descansar
como quem se senta no próprio velório
Comeu feijão com arroz e torresmo
como quem mastiga a última memória de um sábado feliz
Bebeu cachaça e soluçou
como uma máquina enferrujada que aprendeu a chorar
Dançou um samba desengonçado e riu alto
como se a música fosse um erro que valeu cada nota
Tropeçou no céu de meio-dia
como quem tropeça no próprio nome esquecido
Flutuou três segundos no ar
como o sábado que nunca chegou pra ele
Caiu de costas no chão
como um pacote de ossos cansados que ainda tremiam de medo
Agonizou ali no meio-fio
como quem morre no meio de uma frase sem ponto final
E morreu na contramão atrapalhando o trânsito—
interrompendo até o trânsito de Deus
Segunda estrofe – a mesma melodia transpostada, como pesadelo recorrente
Porque ele amou aquele tempo maldito
como quem ama uma máquina que te cospe na calçada
Beijou sua mulher de olhos fechados
como quem beija uma equação que nunca fecha a conta
E viu cada filho crescer
como sábados que nunca foram dele, nunca foram de ninguém
Cruzou a rua cambaleando
com o passo torto de quem atravessa a própria lógica despedaçada
Subiu o andaime balançando
como quem sobe no próprio impossível
Ergueu paredes de tijolos bêbados
como quem ergue um castelo de música desafinada e cimento podre
E seus olhos cegos de poeira e trânsito
viram o mundo como ele sempre foi:
feito de tempo que foge e engano que fica
Ponte – frequência de rádio morrendo, voz virando estática
Ele foi embora
sem saber que era ele quem ia
Morreu de olhos abertos
sem saber que era um homem de verdade
E a rua continua interrompida—
o buraco no asfalto onde ele caiu
E o céu continua tropeçando
em cada pedreiro que sobe
E a música continua saindo dos ossos dele,
subindo do cimento, do meio-fio, da contramão
como se a morte fosse apenas
um erro de ritmo
um compasso perdido
uma nota fora do tom
Final – eco infinito de botequim fechado
Ele amou
como se amar fosse o último erro que um homem pode cometer
Ele dançou
como se dançar fosse o primeiro acerto de uma vida inteira errada
E caiu
como quem cai no meio de uma melodia
que ainda não acabou
que nunca vai acabar
que continua tocando
mesmo depois que o disco quebrou
(silêncio)
(chiado do vinil)
(a agulha patinando no vazio)
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*[ Voice style suggestion: a warm, expressive, introspective male voice — tone and phrasing similar to a poetic storyteller from Brazilian popular music, soft vibrato, emotional control, vintage microphone color.]*
*[ Recommended genres:
melancholic samba fusion, cinematic jazz poetry, lo-fi bossa reflection, urban storytelling, soulful latin ballad, ambient acoustic samba, existential cabaret, poetic folk fusion, emotional singer-songwriter,]* slow samba groove
