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Reza Nua do Fogo

Raspy, drunk prophet voice, Brazilian accent, spoken-sung delivery, ironic smile in tone, 70s rock swagger, gravelly, off-key but soulful, like a street poet telling secrets, whispering and shouting in the same phrase, samba swing under the beat, male vocals, vintage blues-rock, foot-stomp folk, lo-fi barroom feel, slide guitar, harmonica breaks, hand-clap groove

Theo vento·4:19

Lyrics

verso

Pai, não vou funerar meus pés nos teus sapatos —

couro caixão, sola sem Deus, passo sem reza.

Quero o barro em brasa, raiz quebrando asfalto,

formiga em miocardio, samba é hemorragia que endireita a espinha.

verso

Pai, não vou enforcar o verbo na tua gravata —

aço de etiqueta, suicídio social em preto e branco.

Quero gola no chão, peito aberto pra bala,

pele queimando o véu do certo, eu sou o desacato que canta.

pré-refrão

Não quero trono de cinzas,

rei de papelão em fábrica de homens sem nome.

Me dá o trovão da rua,

sangue com cheiro de lua,

estrelas cuspindo fogo no peito aberto — eu sou o contranome que pulsa.

refrão

Deixa eu ser louco e descalço,

dente rachado na boca do rock,

lua no bolso, fúria na coxa,

corda no pescoço virada em corda de violão.

Troca tua coroa por uma guitarra —

prefiro ser fogo que fria,

prefiro ser o fim que nunca termina,

prefiro ser o grito que eterniza.

verso

Se a noite cair feio,

se a sorte me der na cara,

minhas cicatrizes cantam em três notas:

tambor de rodA, vento na ferida,

fim que não existe — só recomeço queimando o passado.

refrão final

Pai, não vou calçar teus sapatos —

nenhuma marca que o mundo use.

Deixa eu dançar no caco de vidro,

rir do corte,

louco descalço sem nada que iluda,

só o barro, o som, o sangue,

e o resto que venha — eu já nasci cru,

eu já nasci canção.

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