
Lyrics
Verso 1
Acordo antes do sol nascer,
Mas parece que nunca dormi.
O café desce amargo e frio,
Talvez seja um reflexo de mim.
Visto um terno que aperta a alma,
A gravata é um nó na razão.
Saio sem rumo, sem mapa, sem norte,
Guiado apenas pela obrigação.
O rádio toca uma velha canção,
Mas nem reparo no refrão.
O trânsito anda e eu só existo,
Como peça em outra engrenagem sem visão.
Refrão – Revisado
Falam comigo e eu balanço a cabeça,
Perguntam "tudo bem?" e eu digo "pois é".
Caminho sem ver quem passa,
Mais um dia que nasce sem fé.
Assino papéis que não li,
Cumpro tarefas sem perceber.
O tempo me usa e me descarta,
Mas eu sigo sem me envolver.
Verso 2
Os rostos são vultos sem nome,
Conversas, ruídos sem cor.
Sorrio no tempo exato,
Mas por dentro, sigo intacto.
Troco olhares vazios na rua,
Com estranhos iguais a mim.
Talvez sejamos só vitrines,
Com sorrisos presos num manequim.
O telefone vibra, mas não me chama,
Respondo por hábito, sem me importar.
As palavras se perdem no meio do nada,
E o silêncio volta a me abraçar.
Ponte – Revisada
Se eu sumisse, quem notaria?
O relógio andaria, a cidade seguiria.
Talvez meu nome virasse poeira,
Mais um número que a vida esquecia.
Fechamento – Superação
Acordo antes do sol nascer,
Mas hoje, o peso já não vem.
O café ainda amarga na boca,
Mas sei que o amargo ensina também.
O terno é o mesmo, mas já não me prende,
Meus passos são firmes, minha mente se estende.
Se o caminho é incerto, que assim seja,
Pois hoje sou eu quem traça a estrada.
