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O Operário em Construção (Stanzas 1-5) - Vinicius de Moraes

O Operário em Construção (Stanzas 1-5) - Vinicius de Moraes

Progressive MPB, samba with orchestral and avant-garde elements, classical guitar, nylon-string acoustic guitar, upright bass, drum kit with brushed snare and soft ride cymbal, woodblocks, congas, bongos, tambourine, vibraphone, piano with syncopated chord voicings, strings section with violins, violas and cellos in contrapuntal layers, flute and clarinet interweaving melodic phrases, brass accents from trumpet and trombone with muted tones, subtle electric bass doubling rhythmic pattern, male lead vocal in baritone register with restrained, narrative phrasing and growing emotional tension, tone moving from conversational to tragic intensity, choral backing voices in layered canon creating cumulative harmonic pressure, reverb-rich ambience suggesting echo of construction noise, dynamic crescendo built through repetition and rhythmic displacement, ending in orchestral and vocal climax

Evolutio01·5:54

Lyrics

Intro

Instrumental interlude

Era ele que erguia casas

Onde antes só havia chão.

Como um pássaro sem asas

Ele subia com as casas

Que lhe brotavam da mão.

Mas tudo desconhecia

De sua grande missão:

Não sabia, por exemplo

Que a casa de um homem é um templo

Um templo sem religião

Como tampouco sabia

Que a casa que ele fazia

Sendo a sua liberdade

Era a sua escravidão.

Bridge

Instrumental interlude

Pre Chorus

De fato, como podia

Um operário em construção

Compreender por que um tijolo

Valia mais do que um pão?

Tijolos ele empilhava

Com pá, cimento e esquadria

Quanto ao pão, ele o comia...

Mas fosse comer tijolo!

E assim o operário ia

Com suor e com cimento

Erguendo uma casa aqui

Adiante um apartamento

Além uma igreja, à frente

Um quartel e uma prisão:

Prisão de que sofreria

Não fosse, eventualmente

Um operário em construção.

Bridge

Instrumental interlude

Pre Chorus

Mas ele desconhecia

Esse fato extraordinário:

Que o operário faz a coisa

E a coisa faz o operário.

De forma que, certo dia

À mesa, ao cortar o pão

O operário foi tomado

De uma súbita emoção

Ao constatar assombrado

Que tudo naquela mesa

— Garrafa, prato, facão —

Era ele quem os fazia

Ele, um humilde operário

Um operário em construção.

Olhou em torno: gamela

Banco, enxerga, caldeirão

Vidro, parede, janela

Casa, cidade, nação!

Tudo, tudo o que existia

Era ele quem o fazia

Ele, um humilde operário

Um operário que sabia

Exercer a profissão.

Bridge

Instrumental interlude

Chorus

Ah, homens de pensamento

Não sabereis nunca o quanto

Aquele humilde operário

Soube naquele momento!

Naquela casa vazia

Que ele mesmo levantara

Um mundo novo nascia

De que sequer suspeitava.

O operário emocionado

Olhou sua própria mão

Sua rude mão de operário

De operário em construção

E olhando bem para ela

Têve um segundo a impressão

De que não havia no mundo

Coisa que fosse mais bela.

Chorus

Foi dentro da compreensão

Desse instante solitário

Que, tal sua construção

Cresceu também o operário.

Cresceu em alto e profundo

Em largo e no coração

E como tudo que cresce

Ele não cresceu em vão

Pois além do que sabia

— Exercer a profissão —

O operário adquiriu

Uma nova dimensão:

A dimensão da poesia.

Bridge

Instrumental interlude

End

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