Koro

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Koro

Lyrics

VERSO 1

A tristeza escorre lenta, como gosma no metal

Se agarra ao que resta e transforma em ritual

É sombra que respira, é vício existencial

Um peso que se oculta sob o rosto racional

A alma endurece enquanto o tempo gira avesso

Cada lembrança vira pó no próprio berço

E o mundo, tão faminto, mastiga o que é disperso

Deixando só cinzas no espaço mais interno

VERSO 2

Há perguntas que apodrecem antes de serem ditas

Como se a vida fosse um livro sem pistas

E cada página, ao toque, vira fuligem escrita

Por mãos que não lembram mais por que são aflitas

O silêncio se arrasta, denso como lama fria

Sufoca a clareza, entorta a filosofia

Pois até a luz perde o rumo na monotonia

E aprende que o fim nem sempre anuncia

REFRÃO

É cinza viva, que cobre tudo que tenta mover

É a gosma antiga, que prende o passo antes de nascer

É o peso do nada, chamando o corpo pra se perder

É o mundo em ruína

Pedindo pra chover

VERSO 3

E quando a noite dobra o eixo da razão

A dor se veste de calma, como falsa solução

Mas cada camada esconde outra contradição

Que insiste em florescer no centro da negação

Filosofia cai, como torre feita de barro

Pois qualquer verdade se torna fardo

E a mente entende, mesmo a contragosto e devagar

Que tudo que queimou um dia volta a soprar

PONTE

A forma que o vazio inventou

O medo que o tempo moldou

Do pó que a tristeza deixou

O eco que você nunca nomeou

REFRÃO

É cinza viva, que cobre tudo que tenta mover

É a gosma antiga, que prende o passo antes de nascer

É o peso do nada, chamando o corpo pra se perder

Mas no fim da ruína

Ainda há o gesto de querer